Mosaico Religioso: Interfaces entre experiências religiosas e leituras científicas.

set 14, 2016 by

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Esse é meu terceiro livro, escrito com colegas da pós graduação em Ciências da Religião, da Universidade Católica de Pernambuco.

Os escritores dos artigos são meus colegas de turma do doutorado.

Quem tiver interesse em comprar o livro, só é entrar em contato.

Vejam a seguir o sumário e o prefacio.

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO……………………………………………………………..7

PREFÁCIO………………………………………………………………………13

PRIMEIRA PARTE: RELIGIÃO, HISTÓRIA E CULTURA

1º Capítulo – Caboclos, Excluídos, Venerados: místicos e beatos do Nordeste brasileiro, entre as luzes e a romanização (1850-1950)

(Gilvan Gomes das Neves)……………………………………………………….19

2º Capítulo – O(s) “até que(s)”: A saída e o retorno da Igreja Presbiteriana do Recife da jurisdição da Igreja Presbiteriana do Brasil, e o surgimento do movimento fundamentalista.

(Drance Elias da Silva e José Roberto de Souza)………………………….29

3º Capítulo – História da Bruxaria: da feitiçaria antiga à Wicca

(Karina Oliveira Bezerra)……………………………………………………….45

4º Capítulo – Helder Camara, escritor das madrugadas: uma janela para os bastidores

(Luiz Carlos Luz Marques e Lucy Pina Neta)……………………………..61

5º Capítulo – A Escola Italiana de História de Religiões: fundação e o início de um percurso

(Marlon Oliveira)……………………………………………………………………71

6º Capítulo – Sul da França (Cultura Occitana) e Pernambuco (Brasil) em diálogos e conexões através das expressões da religiosidade popular

(Silvério Leal Pessoa)…………………………………………………………..87

SEGUNDA PARTE: RELIGIÃO, EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

7º Capítulo – Ensino Religioso nas Escolas Públicas: legislação, formação e prática docente

(Ana Cristina de Lima Moreira)…………………………………………….101

8º Capítulo – Ensino Religioso na Educação Básica: apontamentos iniciais

sobre o princípio do terceiro incluso de Stéphane Lupasco

(Cícero Lopes da Silva)……………………………………………………….113

9º Capítulo – Introduzindo a Temática História e Cultura Afro-brasileira na Escola: um relato de protagonismo juvenil fundamentado na Lei federal

10.639/2003

(Constantino José Bezerra de Melo)…………………………………………127

10º Capítulo – O Sagrado nos Videogames: uma introdução ao estudo da religião e jogos digitais

(Luís Carlos de Lima Pacheco)……………………………………………….139

TERCEIRA PARTE: RELIGIÃO, FILOSOFIA E PSICOLOGIA

11º Capítulo – Utilizar as Coisas e Fruir do Ser: a felicidade humana em Agostinho de Hipona

(Aerton Alexander de Carvalho Silva)……………………………………….157

12º Capítulo – O Fenômeno Religioso Grego: uma reflexão sobre o

pensamento mítico dos filósofos pré-socráticos

(Claudia Rocha Lima)……………………………………………………………167

13º Capítulo – A Crise da Modernidade e a Busca de Sentido do Sagrado

(Hélio Pereira Lima) ………………………………………………………….183

14º Capítulo – “Quem poupa a vara odeia seu filho, aquele que o ama aplica a disciplina” (provérbios 13,24): exegese e psicologia na compreensão da proposta educacional da Bíblia

(Jair Rodrigues Melo)…………………………………………………………..201

 

PREFÁCIO

Múltiplas perspectivas em um prefácio de um mosaico religioso

O Ocidente vive uma mudança de época com proporções ainda impossíveis de serem totalmente compreendidas na atualidade. Muito mais radical do que as rápidas mudanças culturais que aconteceram no Ocidente, desde o século XVI e, de forma mais radical no século XX, o que se observa, na contemporaneidade é, provavelmente, a gestação de outro momento na cultura ocidental. Neste cenário, as religiões, como pode ser observado, não possuem um papel secundário. Elas estão no centro das tensões e cruzamentos que constituem este momento cultural.

Como afirmam P. Berger e T. Luckman, a modernidade contribuiu para a tomada de consciência da pluralidade e tal consciência, inevitavelmente, produziu a relativização dos modelos únicos de plausibilidade, gerando, assim, crises de sentido ou, provavelmente, a crise do sentido único. Para muitos, esse contexto provoca uma profunda insegurança, levando-os a procurar “fundamentos sólidos”, nos arcabouços mítico-simbólicos das suas religiões, gerando o que costumamos chamar de “fundamentalismo religioso”. Em outras pessoas, tal cenário, provoca uma radical relativização, na qual cada um constrói a sua própria bricolagem religiosa de sentido. Muitas vezes, micro estruturas de sentido autobiográficos marcados por uma ilusão de totalidade que refletem mais um gozo narcísico, subtraindo dos grandes tesouros míticos e simbólicos das religiões o seu imperativo ético. Tais performances, ao se despedirem dos grandes sistemas religiosos, ao que até o momento demonstram, não são capazes de produzir novos laços sociais de plausibilidade, gerando, no máximo, estruturas privadas de sentido. Outros, porém, encontram nessa mudança de época uma grande possibilidade de diálogo intercultural e inter-religioso, na busca de um engajamento criativo, na pluralidade constitutiva do arco-íris da pluralidade das estruturas de plausibilidade, contidas nos diferentes sistemas religiosos, de relações mais fraternas, na busca comum em defesa da vida.

A metáfora contida no título deste livro, de querer apresentar um “mosaico religioso”, para o debate acadêmico, é muito sugestiva. De fato, o cenário religioso lembra-nos um mosaico. Diferentes pedras, partes, recortes que, em infinitos jogos de ressignificações, vão gerando múltiplas possibilidades de construção de crenças, de possibilidades de sentido para a longa e fascinante jornada da existência humana.

De fato, atualmente, estamos diante de mosaicos, Muitas vezes, sem mais a pretensão de apresentar totalidades de sentido, como tradicionalmente propuseram os grandes sistemas religiosos da humanidade. A própria tensão entre religião e religiosidades atualmente reflete isso. Nos novos mosaicos, as religiosidades vão cada vez mais se manifestando como provisórias, nômades, caleidoscópicas ou, para utilizar uma metáfora de Z. Bauman, líquidas.

Tal contexto é profundamente interessante para os cientistas da religião, na tentativa de acompanhar o desenvolvimento desses processos e sugerirem esquemas interpretativos que se aproximem das bordas dessas ricas e complexas experiências religiosas. A coletânea dos textos que compõem essa obra quer ser uma contribuição neste “jogo de contas de vidro”, que hoje é o estudo das religiões no Brasil.

Os textos, como um mosaico religioso, que busca tecer cruzamentos entre experiências religiosas e leituras científicas sobre os mesmos, estão organizados em três partes. Os textos da primeira parte buscam problematizar alguns possíveis conexões entre religião, história e cultura. Gilvan Gomes dasNeves reflete sobre “Caboclos, Excluídos,Venerados: místicos e beatos do Nordeste brasileiro, entre as luzes e a romanização (1850-1950), apresentando algumas figuras fundamentais do imaginário religioso nordestino, buscando compreendê-las na relação entre a religião vivida pelo povo e os modelos de religião organizadas a partir do processo de romanização. Drance Elias da Silva e José Roberto de Souza com o texto intitulado “O(s) “até que(s)”: A saída e o retorno da Igreja Presbiteriana do Recife da jurisdição da Igreja Presbiteriana do Brasil, e o surgimento do movimento fundamentalista.”, analisam alguns aspectos que favoreceram os desmembramentos e, posteriormente, alguns retornos , entre essas duas denominações no seio da Igreja presbiteriana, de figuras significativas no contexto presbiteriano do Brasil. Karina Oliveira Bezerra escreve sobre a “História da Bruxaria: da feitiçaria antiga à Wicca”, buscando problematizar alguns conceitos relacionados ao tema e a definição das chamadas “religiões pagãs”, pelo cristianismo, analisando, também, a origem e o desenvolvimento da bruxaria moderna (Wicca). Luiz Carlos Luz Marques e Lucy Pina Neta escrevem sobre “Helder Camara, escritor das madrugadas: uma janela para os bastidores”, busca compreender, a partir do conjunto das correspondências de Dom Helder Câmara, escritas nas madrugadas e enviadas por ele a um grupo de colaboradores, na cidade do Rio de Janeiro, como Dom Helder Camara, um momento impar da sua biografia, da história do Brasil e da Igreja. Marlon Anderson de Oliveira escreve sobre “A Escola Italiana de História de Religiões: fundação e o início de um percurso” e discute os elementos fundantes que constituíram a vertente historiográfica da Escola Italiana da História das Religiões, sua origem, desenvolvimento e as perspectivas que influenciam atualmente as pesquisas sobre o campo religioso brasileiro. Silvério Leal Pessoa escreve sobre “Sul da França (Cultura Occitana) e Pernambuco (Brasil) em diálogos e conexões através das expressões da religiosidade popular”. No seu texto o autor apresenta alguns aspectos das expressões da religiosidade popular occitana do sul da França, estabelecendo comparações com as expressões da religiosidade popular em Pernambuco, buscando refletir sobre algumas questões ai imbricadas, tais como o processo de globalização e resistência cultural e hibridismo, na busca de possíveis diálogos entre essas culturas, a partir da religiosidade popular.

A segunda parte dos mosaicos dessa coletânea, busca articular aspectos entre religião, educação e tecnologia. Ana Cristina de Lima Moreira escreve sobre “Ensino Religioso nas Escolas Públicas: legislação, formação e prática docente”, partindo de alguns momentos significativos da história do ensino religioso no Brasil, bem como da sua legislação. A autora enfatiza a necessidade e a importância da qualidade da formação do professor de Ensino Religioso, tendo em vista a demanda que o atual contexto social exige. Cícero Lopes da Silva analisa os “Parâmetros curriculares nacionais do ensino religioso: análise teórica à luz da metodologia transdisciplinar”, com o objetivo de discutir sobre as contribuições da metodologia transdisciplinar para a escolarização do Ensino Religioso na Escola Pública do Brasil e Constantino José Bezerra de Melo, com o seu texto intitulado “Introduzindo a temática História e Cultura Afro-brasileira na Escola: um relato de protagonismo juvenil fundamentado na Lei federal 10.639/2003”, relata sobre uma experiência em uma escola pública em Pernambuco, que teve como objetivo promover uma sensibilização dos estudantes das escolas para o estudo, a pesquisa e o debate em torno da História da África e dos Africanos, enfatizando a luta dos negros e a manutenção da cultura negra, demonstrando o papel fundamental do povo negro na formação do Brasil. Por último, Luís Carlos de Lima Pacheco reflete sobre “O Sagrado nos Videogames: uma introdução ao estudo da religião e jogos digitais”, partindo do impacto cultural e econômico dos videogames na sociedade atual, sendo eles, através dos jogos digitais, um dos mais importantes divulgadores dos grandes mitos da humanidade para as atuais gerações, partindo quase sempre dos arquétipos do sagrado, o autor busca analisar esse fenômeno como uma possível oportunidade para o desenvolvimento da dimensão de transcendência do ser humano.

A terceira e última parte apresenta peças desse rico mosaico religioso a partir da religião, filosofia e da psicologia. Nesse bloco de textos Aerton Alexander de Carvalho Silva, com o texto “Utilizar as Coisas e Fruir do Ser: a felicidade humana em Agostinho de Hipona”, partindo da concepção moral agostiniana, busca delinear o esboço de um caminho de compreensão do que seja, na concepção agostiniana, a felicidade como fim último dos seres. Um tema sempre caro às religiões. Claudia Rocha Lima escreve sobre “O Fenômeno Religioso Grego: uma reflexão sobre o pensamento mítico dos filósofos pré-socráticos”, propondo uma reflexão sobre os primórdios da Filosofia, buscando compreender alguns aspectos do processo primordial que funda a Filosofia ocidental. Hélio Pereira Lima escreve sobre “A Crise da Modernidade e a Busca de Sentido do Sagrado”. O autor, partindo da crise de sentido da sociedade moderna, problematiza sobre uma possível relação desta com a perda de sentido do sagrado. O autor indaga sobre a racionalidade esclarecida, que se instalou como único critério de justificação no Ocidente, questionando se o processo de “desencantamento do mundo” não teria interditado o acesso a um conceito mais amplo de razão, que incluiria a questão do sentido da existência. Por último, Jair Rodrigues Melo com o seu texto intitulado “Quem poupa a vara odeia seu filho, aquele que o ama aplica a disciplina” (provérbios 13,24): exegese e psicologia na compreensão da proposta educacional da Bíblia”, busca aprofundar esse texto em seu contexto literário e histórico e faz uma análise sobre a possível aplicabilidade de seu conteúdo para os dias atuais, à luz da psicologia analítico comportamental. Como pode ser observado, de fato, a coletânea dos textos que compõem essa obra refletem um rico e colorido mosaico de múltiplas perspectivas, de algumas das várias facetas das religiões e religiosidades. Tal obra, com certeza, será uma importante contribuição para a ampliação do debate acadêmico sobre o vasto panorama religioso brasileiro.

PROF. DR. SERGIO SEZINO DOUETS VASCONCELOS

2 Comments

  1. Glailson Braga

    Quanto custa o livro como frete??

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